19.10.16

primeiro fogo

o fim do verão, mais que triste, apanha-me completamente desprevenida. sinto sempre que nos ficaram a faltar dias de praia, sardinhas e caracóis por comer, tardes de esplanada por aproveitar, piqueniques por fazer... enfim, inspiro fundo e olho em frente, afinal o outono até é uma boa notícia. traz consigo castanhas e dióspiros, mantinhas felpudas e serões à lareira. este fim-de-semana acendemos a primeira lareira da época. os dois enroscados a bebericar vinho do porto, a ler a interminável guerra dos tronos e a ouvir a lareira a crepitar, lavou-me a alma e fez-me esquecer os encantos do verão.



26.11.14

temos a família espalhada por essa europa fora (e por este país adentro), sempre à espera de notícias e fotografias dos pequeninos. vou aproveitar este blog a ganhar pó para vos trazer os relatos do dia-a-dia aqui de casa, sempre e quando os piratinhas me deixarem usar pelo menos uma mão para escrever. e até o nome dá para reciclar, já que vamos abrir uma transparência com vista para aquela que é agora a nossa maior ocupação: parentar.

vivemos cheios de saudades vossas e eles estão a crescer no meio dessa saudade. que este cantinho diminua um bocadinho a nossa distância.


 ^^^^ vestidinhos de igual num momento de mãe pirosa ^^^^


^^^^ primeira vez juntos no baloiço ^^^^



e não se esqueçam de comentar, que o sabermos-vos desse lado dá-nos ânimo a continuar!

17.5.13

de não ter televisão

nós não temos televisão em casa. a ideia de cancelar o serviço já vinha de trás, mas resolveu-se quando a dita deu o berro e não estivemos para gastar meio ordenado noutro quadradinho.

não percebo o espanto. não é nada do outro mundo. hoje em dia, tendo acesso à rede, temos tudo. não deixámos de ver séries e filmes, antes pelo contrário. neste ano e meio até já conseguimos riscar da lista muitos dos que queríamos pôr em dia. simplesmente, passámos a ser muito mais selectivos e a não levar com anúncios a detergentes e bancos.

quanto às notícias, temos acesso ao que de mais importante se passa ao minuto, sem conversa fiada ou até com conversa fiada, é ao gosto do freguês. já para não falar de que, ultimamente, os telejornais têm deixado muito a desejar, não se limitando a fazer o seu trabalho que é dar notícias. desperdiçam tempo e mais tempo com entrevistas de rua e reportagens sobre tudo o que é assunto (e não-assunto), que poderiam fazer parte de outro género de programa. e uma pessoa que só queria saber o que é que aconteceu no mundo, vê-se ali embrulhada por duas horas.

resumindo, ganhámos tempo livre - todo aquele que perdíamos a saltitar de canal em canal e a desligar o cérebro frente a programas que não valiam um caracol - poupámos uns trocos e ok, até admito que possamos ter perdido uma ou outra coisa interessante, mas teria sido à custa de horas e horas de informação inútil.

e, last but not least, torna mais fácil resistir à tentação de meter o miúdo a ver o panda enquanto tento fazer alguma coisa por esta casa acima.
já disse que o andrew bird me pagou uma imperial? há coisas que uma pessoa tem de pôr por escrito.

29.4.13

caracol, caracol

o sol deu um ar da sua graça e nós fomos a correr...


...pôr os pés na relva do nosso central parque lisboeta,































...rebolar ao som das gaitas-de-foles no jardim do torel,



























...esplanadar no clara, clara café,































...e ver as cores da primavera no jardim do príncipe real.


23.4.13






























passaram quase oito meses desde que se fez magia. faz quase cinco que me amputaram a alma.

levaram-te e tudo mudou. o mundo ficou vazio de ti e eu fiquei, de menino nos braços, a ter de sorrir, mesmo a chorar.

levaram-te mas deixaram-nos despedir. escolher as palavras. engolir as lágrimas. a alma salgada.

levaram-te e ainda me dóis. ainda não acredito. ainda é tortura recordar.

levaram-te e chegou esta dor. que nos engole. que nos dobra ao meio. a única que desejo ao meu filho.

aquela que vem do amor.

t'estimo molt, abuelita.






































passadas poucas horas das minhas últimas palavras, começou a magia.

vieste em ondas e só me lembro de estar feliz. não houve lugar à ansiedade, não fizemos planos. estávamos preparados e confiantes e o tempo fez o favor de parar para nós.

chegaste com os olhos abertos, pescoço esticado, curioso e olhámos-nos num "então, eras tu" demorado. o teu cheiro inebriou-me e fizeste de mim a tua loba.

vieste para ficar e eu descobri que sempre existi para ti.

14.9.12

por aqui estamos em modo doce espera. as manhãs escorregam vagarosas e enquanto o peludo cá do sítio dorme longas sestas de queixo caído, eu faço a melhor confort food nacional: papa maizena. e espreito uma e outra vez as gavetas com as coisinhas dele, arrumo e volto a arrumar e confiro que estamos preparados. ansiosos para que chegues e cheios de medo dessa chegada.


e já que estamos numa de classificar comidinha, levámos o xavier (ainda na barriga, entenda-se) ao melhor hamburguer de lisboa, com batatinhas fritas caseiras e maionese de alho a acompanhar. aqui fica a dica: peçam com carne de picanha, e não digam que vão da minha parte.


                 quando, ó quando é que eu vou poder pedir com carne mal passada, senhores?
foi um fim-de-semana perfeito, este que tivemos. com direito a boa comida, melhores concertos e ainda melhor companhia na festa do avante (destacam-se a sopa de cação no 1.º campeonato e o concerto extraordinário de a naifa no 2.º), um workshop de tricot com a rosa na retrosaria, muita leitura na relva do jardim da estrela e a descoberta do, até agora, melhor brunch de lisboa, no bebel bistro, que ficámos a conhecer graças à infalível time out.


e porque não consigo destronar assim, sem mais nem menos, e numa só experiência, o brunch que nos acompanha há já tantos fins-de-semana, dos quentes e dos cheios de chuva, dos ensonados e dos cheios de energia, dos mais calados e dos cheios de conversa, no acolhedor café do monte, aqui fica a rectificação: compartem os dois o lugar no nosso pódio. hajam fins-de-semana suficientes (e dinheirinho) para vos gozar!


"assim que soube que te esperava, corri as papelarias à procura do caderninho perfeito onde pudesse registar todos os sentimentos e os nossos acontecimentos ao longo destes meses em que somos um só. (...) ensaiei muitas vezes aquilo que te queria escrever, mas a importância que estas palavras, estas memórias, podiam ter para ti no futuro acobardou-me e nunca o comecei. até hoje. (...) um dia igual aos outros, mas um bom dia, porque nunca vai sair perfeito. nunca te vou conseguir reproduzir com exactidão aquilo que tenho sentido. por isso, desde esta esplanada (...) com uma vista perfeita sobre a nossa Lisboa e a sentir-te a dormitar na minha barriga, aqui vai."

31.8.12

há já algum tempo que procurava um caderno para escrever os primeiros acontecimentos da vida do xavier. são todos demasiado comerciais, com demasiada bonecada, demasiado "estrangeiro-traduzidos", demasiado impessoais. até que encontrei o tal. feito a quatro mãos, por avó e neta e, talvez por isso, ainda mais doce.
agora é esperar pelo início da nova vida e deixar a tinta correr em palavras cujo sabor se torna tão, mas tão especial com o passar das décadas.


2.8.12

deu-se no nosso círculo de amizade um fenómeno de gravidez por contágio. e é tão bom podermos partilhar esta fase. e as seguintes. e as outras que ainda vêm depois. e saber que agora somos várias gerações de amigos. e que somos muitos, muitos mais do que éramos.

antecipo as férias, os piqueniques, os lanches, os almoços, os jantares, os dias de praia e as viagens todos juntos. e as gargalhadas. essas, quase que as consigo ouvir.

e o divertido que é ver dois amigos que ao longo de mais de uma década discutiram miúdas, cerveja, música, apontamentos e trabalho, discutir agora as fraldas reutilizáveis. elevaram a amizade a todo um outro nível. muitos degraus acima.


o bom que é juntar a pouco e pouco as coisitas que fui guardando para ele e, sem saber como resultaria, ficar exactamente como imaginei. e o gozo que dá pensar nos detalhes. e o que eu gosto de sonhar com ele, lá dentro, a ser feliz.

uma pequenina amostra do quarto do meu também pequenino xavier.


e a nossa fera com pele de carneiro. literalmente.